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Marco Feliciano, testemunha da criação

marco feliciano pregação Dia destes, me presentearam com um vídeo do Marco Feliciano. Eu sempre falo: para o mundo somos todos farinha do mesmo saco! A moça em questão achou que me agradava. Segurei o pacote como quem segurava uma bomba, sorriso amarelo diante do embaraço de ofender a amiga que só queria ser amável. Pois sabe que no fim agradou!


Certa tarde de sábado chuvoso, a SKY sai do ar. Olho para o aparador e vejo aquela capa medonha do DVD “Destronando Satanás”, sapeco o troço no aparelho e já começo a tremer. Feliciano vai desfiando em tornado de fúria e gritos apavorados todos os nomes já dados na Bíblia ao bicho rabudo. Indica que revelará as orientações dadas por Deus a ele sobre como apear satanás de seu trono e adianta que irá fazer a correlação entre os tais nomes e as entidades da macumba nacional.


O telefone toca. Demora. Volto para sala e a procissão de demônios já tinha passado. Qualquer dia, prometo, boto o vídeo novamente e conto pra vocês o que se passou com o capeta quando Feliciano e mais 5.000 pessoas o pisotearam no calor infernal de um dia quente no Balneário Camboriú em Santa Catarina.


Por hoje, fico com a revelação bombástica que presenciei a seguir. E, a título de vaidoso preâmbulo informo a vocês que fui aluno de Douglas F. Kelly no Reformed Theological Seminary Virtual Campus, um camarada defensor ferrenho do criacionismo. Exegeta de nível mundial. Especialista – fundamentalista, dizem uns – no livro de Gênesis. Contudo, ainda inconcluso, na minha ignorância, vi que realmente estava diante de uma oportunidade impar de aprender algo direto da fonte, pois Feliciano ameaçou (e cumpriu!) que iria revelar o que Deus lhe informou acerca de certas partes cinzentas do livro de Gêneses e, eu estava bem ali para escutar em primeiríssima mão!


Fui à cozinha buscar uma Coca-Cola Light, que vai bem com tudo, e quando voltei, lá estava ele: ampliado pelo formigueiro humano que enchia um enorme ginásio orando aos berros e em transe para depois “profetizar” como a relação tempo e espaço e o relógio de Deus se adiantava e atrasava os milhões de anos necessários à coerência entre a ciência e a Torah (ele confessa a incoerência, me deixa em paz que eu não tenho nada com o peixe!) e ainda conta, então, a história da queda de satanás, explica a questão dos dinossauros, disserta sobre química orgânica e inorgânica e a formação do barro da vida. Fala sobre DNA, “fosfiro carbônico”, do espirito sobre as águas e o fogo das estrelas e ainda mostra como tudo isto se encaixa na teoria da relatividade de "Ensten" (pula esta que já me basta tratar do assassinato do texto Sagrado, cada um por si!).


Meus leitores amados, já aviso logo, não me deixem comentário pedindo explicação sobre estas teorias que eu não tenho competência pra isto. Recorram ao autor. Eu só sei que entre uma unção e outra de seu paletó – Sim! O paletó dele também tem poder, o Benny Hinn não é o único biscoito do pacote! Marco Feliciano vai revelando toda uma nova visão da criação. Entre criacionismo, arquitetura inteligente, teoria do big bang, darwinismo e mais. Feliciano se supera e coloca um ponto final na polêmica ao apresentar sua versão Henê Marú do Bereshit. Sim, Henê Marú. E antes que se levantem as vozes da razão, digo que não há preconceito capilar na minha afirmação, apenas concedo ao querido profeta Feliciano a mesma dúvida que recaiu sobre Tião Macalé em certo programa de humor anos passados: Tô achando que tanto pente quente na cabeça está queimando meus miolos!

 

Texto de Danilo Fernandes em  Genizah Virtual.